segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quase álbum: Duatlo Viseu - estreia 05.09.2010

Há sempre uma primeira vez…
… que desafio: um duatlo!

Não tive muitas especificidades de treino; não sabia bem o que ia fazer.

Treinei com bicicleta de BTT na estrada e na serra de sicó e fiz algumas passagens da bicicleta para a corrida (é inebriante a diferença e descoordenação de movimentos quando se passa, sem intervalo, da bicicleta para a corrida).

Objectivo: chegar ao fim e sentir-me bem; tendo em conta os treinos contava fazer o tempo total de cerca de 1h30m – 1h40m: 1ª corrida de 5 Kms, 19,2 Kms de bicicleta e 2,5 Kms para a 2ª corrida.

Montei pneus de estrada, comprei um suporte para transportar a bicicleta no carro, levantei-me cedo e lá fui eu, cheguei a Viseu por volta das 8h e consegui inscrever-me (dorsal 5561).

Aquilo tudo era novo.

Nem sabia o que era a zona de transição (onde se passa da corrida para a bicicleta e desta para a 2ª corrida) nem a cesta para o capacete e para os sapatos (para quem os muda) ou o varão para instalar a bicicleta; as outras bicicletas então eram um espanto: pareciam bailarinas antes de um show de cabaret (elegantes, leves e muito bem adereçadas).

Aquecimento: primeiro impacto -» aquilo era só pessoal altamente preparado e cheio de tiques técnicos e alguns apetrechos; pela pinta ninguém parecia talhado para ficar atrás de mim.

Arranque: cerca de 70 atletas; gente concentrada, tensa, rigorosa e competitiva; deixei-os partir todos à minha frente para não atrapalhar.

1ª corrida: 5 kms, fui ultrapassando porque o trajecto tinha uma subida das que eu gosto (como a de São Fipo para o cruzamento de Penela); a meio comecei a sentir as pernas pesadas (sei agora, era o preço de ter dado sangue poucos dias antes e ter mantido o ritmo de treino sem descanso); terminei esta corrida perto da metade do grupo (já tinha visto vários desistentes); fiz cerca de 23m30s (apesar da dificuldade, um tempo quase normal para os treinos) sem conseguir suplantar o ritmo a que corro na meia maratona (um pouco pior que o meio dos 10 kms do Bodo ou do Gaia Night Run).

Bicicleta: a emoção da área de transição onde não se pode montar desde logo mas só após a linha de saída; a partir daqui foi só vê-los passar; eu a dançar de botas da tropa (assim é a pesadona da minha bika comparada com as outras gazelas) e os outros com sapatinhos de cristal; a meio da segunda volta fui ultrapassado pela segunda vez pelo grupo dos da frente (pareciam caças supersónicos); nas subidas a bika era pesada e puxava para trás, a descer o vento empurrava pela frente e nunca consegui sequer atingir a pedalada máxima; senti-me bem e com gozo mesmo quando os outros me ultrapassavam: cada um tem a sua cadência, cada qual tem uma carga de treino própria, deixá-los passar; começava a vislumbrar o último lugar como melhor possibilidade (nunca pensei em desistir, nem me senti fracassando, esforçava-me pelo meu melhor); terminei a bicicleta com 1h08m de prova; foi uma trapalhada (tirei o capacete antes de tempo e tive que colocá-lo de novo para não ser desclassificado) até para colocar a bicicleta no suporte; demorei mais de 2 minutos; já era o último classificado e sem avistar o que estaria à minha frente.

2ª corrida: pernas para que vos quero, sem qualquer problema por seguir em último e não ter no horizonte quem ultrapassar, manter a mesma dignidade, esforço e intensidade dos treinos, “correr comigo e ao meu ritmo”; atrapalhava sentir nos calcanhares a mota vassoura, aquele barulho quase me desconcentrou; segui no meu passo pensando naquela curiosa posição: último e sem ninguém à vista (num espaço de +- 300 mts); deu tanto para pensar (“era como se fosse um treino”, “cada corrida é um acto pessoal”, “objectivos e capacidades são diferentes”, “o importante é sentir-me bem e fazer o meu melhor”, “como primeira vez o importante é aprender e ver onde posso melhorar”, “há que treinar mais”, “é fundamental respeitar as minhas capacidades pessoais e sem exageros respeitar o corpo”, “toca a gozar a corrida”) lembrei-me do que havia aprendido em Portel (quando desidratei por não beber água quente) e na meia de Março em Lisboa (“há que respeitar os nossos limites”); quando entrei na descida na avenida (uma recta com +- 400 mts) vi lá ao fundo o meu antecessor a aproximar-se da meta, gozei a sombra das árvores, aproveitei a descida, acelerei o ritmo e terminei em sprint como se fosse ganhar uma medalha olímpica.

Quando cortei a meta senti aquela indescritível felicidade de chegar ao fim, bem e contente comigo: afinal superei as expectativas, fiz um tempo que nem representava como provável: 1h 23m12s.

Classificação: 53º (fiquei a 2m12s do 52º).

Soube depois: haviam desistido 17 atletas.

Afinal eu fiz o meu melhor duatlo de sempre, andei acima da minha cadência habitual e vencei um novo desafio.

Não tenho culpa que aqueles que deveriam ficar atrás de mim tenham desistido ou nem sequer se tenham apresentado à partida (deveria ficar mais contente se tivesse feito, por ex., 1h35m, ficasse classificado em 60º mas à frente de mais 10 ou 20????).

O esforço é uma questão pessoal !!!!!!!!!!!!!!!!!!

Venha o próximo, que não deve ser o último!

http://federacao-triatlo.pt/gestao/adm/provas/288/resultados/ABSOLUTA.pdf

(de mim para mim: este tanto que escrevi é um pouco do que cresci e aprendi…)

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