Grande Prémio do Fim da Europa: de Sintra ao Cabo da Roca -» 16.945 metros.
Não fiz treino específico para esta prova.
É inverno, está muito frio e os dias são pequenos.
Além disso, ando a dar mais atenção ao BTT dominical e ao spinning durante a semana (duas vezes).
Fui fazendo passadeira uns dias por outros mas isso, para esta prova, é como treinar numa mesa de matraquilhos para ir jogar na Liga dos Campeões.
Tive atenção a três pormenores: dormi bem na noite anterior (descansei bastante), boa hidratação durante a semana (bebi muita água), no início da prova (levei a bebida isotónica para beber antes do primeiro abastecimento) e tomei precauções para o frio (luvas, camiseta aquerea interior e calças de corrida bem como meias altas).
No mais, deixei-me ir sempre guiado pelo princípio básico: respeito pelas capacidades do meu corpo, sabendo que cada um tem o seu ritmo e os seus objectivos.
Eu tinha os meus: chegar ao fim em boas condições e, de preferência, abaixo da hora e meia.
Tendo em conta as características do percurso não era fácil.
O percurso é muito duro e, ao mesmo tempo, estimulante: não tem parte de recta pois ou estamos a subir ou a descer.
A subida inicial é muito violenta são cerca de 3 a 4 kms com piso escorregadio, sombra (frio), curvas, muito íngreme e muita gente junta.
Depois seguem-se picos de subidas e descidas até aos 12 kms; finalmente são 5 kms alucinantes sempre a descer até quase cair ao mar.
Pelo meio, cerca dos 9 - 10 Kms há a subida rainha com um índice de inclinação absolutamente demolidor onde muita gente tem que ir a passo (aqui valeu-me o treino do spinnig: acreditei que era capaz e imaginei-me a pedalar ao ritmo da musica da Rihanna "I lke the way it hurts" e pedi apoio moral ao meu pai lembrando-me da ladeira dos cabeços quando me ia buscar à escola); consegui manter a cadência de corrida e a chegada ao pico, quando começa a descer, dá um gozo indescritível que só percebe quem já passou por situações limite de esforço físico: é prazer puro nas primeiras passadas para começar a descer.
Na descida não travei, deixei as pernas rolarem e fui por ali abaixo, tive medo de alguma lesão mas tudo saiu bem.
Nos últimos 200 metros ainda tive força para um sprint final e as habituais ultrapassagens dos derradeiros metros (não é para ganhar lugares é para que o final seja olimpicamente digno: dar o máximo até ao fim).
Curiosidade: após a chegada aproveitei a presença de uma equipa de apoio e medi a tensão arterial: 11 - 7; comentário do enfermeiro "este não morre nem que o matem" (gostei de ouvir, mas isso não depende porque não fui eu que fiz o meu corpo, obrigado Deus, glória a Ti!).
A organização foi exemplar: a entrega dos dorsais no próprio dia para quem vai de longe, boa esquemática da partida, abastecimentos em quantidade e de qualidade suficiente, no final bons líquidos, bananas e uma saborosa (pudera!) sandes de queijo.
O regresso de autocarro para Sintra também este em bom nível.
Gostei de jantar no Tulhas: dono simples e simpático, boa comida, preço acessível e uma calma que me encheu a alma (é possível jantar sozinha à porta do paraíso); apreciei um grupo de participantes na corrida que estavam na mesa grande que incluía desde avós a netos e anotei um casal de brasileiros que se divertiram a comer bacalhau com natas e a beber vinho verde Loureiro.
Mais uma vez a imprescindível companhia do Trino faz diferença para muito melhor: aquele amigo; ele também se sentiu bem.
Para terminar: um apetitoso almoço de feijoada de búzios no "Andorinhas" (a Sónia estava com o Trino).
De Sintra as queijadas para a Beatriz...
Para a estatística: dorsal 567, classificação geral 613º; classificação no escalão 92º; tempo oficial 01.25.42; tempo de chip (igual ao do meu cronómetro): 01.24.41; terminaram 1554 e mais de duzentas desistências (pelo que resulta da classificação: http://www.fimdaeuropa.com/resultados.html).