PONTE VASCO DA GAMA
Não se pode dizer que foi a primeira.
Pois já nos anos oitenta e nos anos 90 tinha feita algumas meias maratonas.
Mas isso tinha sido no século passado e no contexto de outro milénio.
Todos os anos ia fazendo umas corriditas de horas nas praias da Carrapateira (tanto na do Amado como na da Bordeira).
Mas, já velho e cansado nunca me passou pela cabeça calçar as sapatilhas.
Em 2006, atingi a saturação numa série de quadrantes.
Foi um chegar a um ponto de completa estagnação e desmotivação e outras coisas terminadas em «ão».
E calhou, lembrei-me de começar a correr para desanuviar, para conversar comigo, para ter sossego e momentos em que, dificilmente, alguém me aborreceria.
E assim foi, recomecei a correr como acto de liberdade e de libertação.
E surgiu o desafio: «e que tal fazer a meia maratona da ponte Vasco da Gama?»
Qual não seria o prazer de correr em cima daquela ponte espectacular.
Seria muito difícil … isso de fazer 21 kms não era para mim!!!
Sempre poderia tentar …
Nada como experimentar!!!
Passei o Verão a fazer umas corriditas sem nexo nem orientação só para ver se aguentava.
Sempre convencido que aquilo era água demais para a minha ponte assumi três objectivos para cumprir: inscrever-me, chegar à partida e terminar.
Logo para a inscrição surgem muitas resistências: não serei capaz, não vale a pena, para quê tanto esforço, é perder um domingo, ter que ir a Lisboa …
Chegar à partida é outro marco difícil porque mesmo depois de inscrito surgem sempre outras tentações, convites, pequenas coisas mais fáceis e demais dificuldades de que só o diabo se lembra; na verdade, começar uma corrida é muito difícil …
E terminar? Isso ainda seria pior: teria capacidade física ? e a respiração como se controla ? e os músculos aguentariam ? e «figurinha» de estourar no meio da ponte e a ver passar toda aquela gente ? e …? e …? e …?
Foi um desafio muito importante pelo seu fundamento libertador: era um teste à minha capacidade de resistência, de perseverança, de confiança e de ver até onde iam os limites.
Estava convencido que tinha que chegar ao fim, e era capaz, nem que fosse o último.
Fisicamente não foi penoso: aguentei bem, sem dores musculares nem dificuldades de respiração.
Psicologicamente foi muito desgastante essencialmente por estar convencido que iria ficar para último.
Nem sei contar quantas vezes olhei para trás a ver se ainda havia gente atrás de mim.
Só no Parque das Nações me convenci que conseguiria terminar sem ficar em último.
No fim cresceu uma incrível sensação de satisfação e subiu uma bandeira de entusiasmo e de vontade de continuar.
Valeu muito, muito a pena e a perna!
Fôlego para a próxima!!!
*
Resultado:
dorsal: 1913;
tempo: 01.57.18
lugar no escalão: 241º, lugar na geral: 1554º,
terminaram 2347 atletas.
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